Ontem eu ministrei uma aula sobre Narcisismo que eu gostei muito :-)

 

Pude contextualizar este tema a partir do desenvolvimento teórico proposto por Freud, oferecendo aos alunos um espaço para discutirmos as principais características da dinâmica psíquica dos pacientes narcísicos e, ainda, a possibilidade para refletirmos sobre a nossa sociedade pós-moderna, a falta de privacidade, a banalização dos sentimento, o sensacionalismo, o culto ao efêmero, as relações fugazes, ao vazio e a falta de referências que impactam e ilustram a clínica analítica.

 

Em nossa sociedade atual, há uma exigência de que cada vez mais as pessoas sejam competitivas, independentes, autônomas, que tenham propósitos definidos, que cumpram os “10 passos para o sucesso” ou “os 10 lugares para serem visitados antes de morrer”, que correspondam aos apelos publicitários, estéticos, das mídias sociais, dos “likes” e “views”, contribuindo para dependência emocional, o individualismo e a dificuldade de estabelecer vínculos e relações interpessoais mais saudáveis e estáveis.

 

Essa superestimulação ao individualismo, à competitividade e ao isolamento, traz um sofrimento atual importante e que impacta nas nossas relações familiares, afetivas, interpessoais. Há uma grande preocupação em como esse fenômeno tem deixado danos estruturais, principalmente no que se refere as relações primárias e ao desenvolvimento do “eu”, do desenvolvimento saudável do psiquismo na infância.

 

Este é um dos grandes desafios da nossa clínica psicanalítica! Cabe a nós, psicanalistas, nos debruçarmos sobre estas reflexões, nos prepararmos para o acolhimento e enfrentamento destes quadros, oferecendo continência para que as angústias desses pacientes possam ser projetadas, trabalhadas na relação terapêutica e ressignificadas, de modo que o paciente possa se desenvolver, tolerar as frustrações, registrar esperança, formar novos vínculos e melhorar sua qualidade de vida.

 

Abraço,

Fabiana Di Carla